Deus somente guia aqueles que sabem que são pecadores.

Leia Salmo 25

Segundo princípio – conhecer profundamente o próprio coração.

A segunda declaração de Davi sobre a orientação de Deus está nos v.8-9, onde ele diz: “o Senhor,…mostra o caminho aos pecadores. “(v.8).

Percebes que Davi está constantemente pedindo por orientação e confessando seus pecados neste salmo. Esta é a forma que Davi encontrou para dizer que Deus guia somente aqueles que sabem que são pecadores.

A prova desta interpretação é a frase paralela no v.9 – “Conduz os humildes na justiça…

Esta frase traz sérias implicações. Implica em obedecer seja qual for a situação. Quando você tem todos os motivos para se sentir injustiçado (ex. a escrava de Naamã II Reis 5). Quando obedecer a Deus implica em ir contra a própria promessa de Deus (ex. Abraão e o sacrifício de Isaque).

Como assim?

Obedecer a Deus em qualquer que seja a situação significa ser humilde. O humilde reconhece que ele ou ela não é mais sábio que Deus. E obedecer a Deus em situações nas quais envolve grandes perdas pessoais é dizer a Deus – “Pai, a tua loucura e mais sabia que minha sabedoria. Por isso esperarei em Ti.”

Deus conduz os humildes. Será que você tem sido humilde? O humilde espera em Deus. “Kidner afirma que esperar em Deus é aceitar o tempo e a sabedoria dEle. Esperar em Deus é obedecer, apesar da aparente falta de ação da parte de Deus e, portanto, é não aceitar simplesmente a palavra de Deus mas também o tempo dEle.

Para isso é necessário ter um espírito dependente e que desconfia de sua própria sabedoria. Ou seja,  nunca conheceremos a orientação de Deus se formos orgulhosos.

Como isso se resolve na prática?

  • Uma pessoa excessivamente auto-confiante assume que sabe o que fazer e, portanto, não tem tempo para refletir.
  • Sem tempo para refletir, e sem vontade de considerar todas os cursos alternativos, não é dado a Deus espaço para orientar os nossos pensamentos e o nosso coração.

No entanto, Davi não pode estar simplesmente dizendo que somos guiados se soubermos que somos pecadores. Davi está dizendo que somos guiados quando conhecemos os pecados específicos sob os quais o nosso coração está se sujeitando. Ignorância quanto aos nossos preconceitos e nossa tendência de negar as verdades são os principais obstáculos da sabedoria.

Por exemplo:

  • a necessidade exagerada por aprovação das pessoas nos leva continuamente ao excesso de compromissos e a superestimar o que você pode realizar em um determinado período de tempo.
  • Da mesma forma  é o amor ao poder e a  riqueza.

Este é o segundo princípio de uma vida que é dirigida e guiada por Deus.

Conhece o íntimo do próprio coração.

October 15, 2010 at 10:05 pm Leave a comment

Sua Consciência Seu Guia.

Salmo 25

A ti, Senhor, elevo a minha alma. Em ti confio, ó meu Deus. Não deixes que eu seja humilhado, nem que os meus inimigos triunfem sobre mim! Nenhum dos que esperam em ti ficará decepcionado; decepcionados ficarão aqueles que, sem motivo, agem traiçoeiramente. Mostra-me, Senhor, os teus caminhos, ensina-me as tuas veredas; guia-me com a tua verdade e ensina-me, pois tu és Deus, meu Salvador, e a minha esperança está em ti o tempo todo. Lembra-te, Senhor, da tua compaixão e da tua misericórdia, que tens mostrado desde a antigüidade. Não te lembres dos pecados e transgressões da minha juventude; conforme a tua misericórdia, lembra-te de mim, pois tu, Senhor, és bom. Bom e justo é o Senhor; por isso mostra o caminho aos pecadores. Conduz os humildes na justiça e lhes ensina o seu caminho. Todos os caminhos do Senhor são amor e fidelidade para com os que cumprem os preceitos da sua aliança. Por amor do teu nome, Senhor, perdoa o meu pecado, que é tão grande! Quem é o homem que teme o Senhor? Ele o instruirá no caminho que deve seguir. Viverá em prosperidade, e os seus descendentes herdarão a terra. O Senhor confia os seus segredos aos que o temem, e os leva a conhecer a sua aliança. Os meus olhos estão sempre voltados para o Senhor, pois só ele tira os meus pés da armadilha. Volta-te para mim e tem misericórdia de mim, pois estou só e aflito. As angústias do meu coração se multiplicaram; liberta-me da minha aflição. Olha para a minha tribulação e o meu sofrimento, e perdoa todos os meus pecados. Vê como aumentaram os meus inimigos e com que fúria me odeiam!  Guarda a minha vida e livra-me! Não me deixes decepcionado, pois eu me refugio em ti.  Que a integridade e a retidão me protejam, porque a minha esperança está em ti. Ó Deus, liberta Israel de todas as suas aflições!

Este texto nos dá quatro princípios para ter uma vida guiada por Deus.

Primeiro princípioConhecer profundamente a verdade de Deus.

Verso 4-5 – Mostra-me, Senhor, os teus caminhos, ensina-me as tuas veredas; guia-me com a tua verdade e ensina-me, pois tu és Deus, meu Salvador, e a minha esperança está em ti o tempo todo.

Para ser guiado por Deus você precisa ser uma pessoa que conhece profundamente a palavra de Deus.

Nos versos 4-5 o pedido de Davi é diferente do que ele diz no verso 12. No verso 12 Davi afirma que há um caminho escolhido por Deus para os seus. Nas versões em português você não percebe este fato, na maioria das versões este verso é traduzido assim: “Quem é o homem que teme o Senhor? Ele o instruirá no caminho que deve seguir.” Ou seja, Deus ensinará aos que O teme, o melhor caminho para eles. Na versão da NVI em inglês a tradução é esta: “Who, then, is the man that fears the LORD ? He will instruct him in the way chosen for him.” A palavra chosen significa escolhido. De acordo com esta tradução, segundo os eruditos está mais próxima do original, Davi afirma que há um caminho escolhido por Deus.

Sendo assim, perceba que Davi não diz: mostre o caminho escolhido pra mim. O que ele diz está mais para: sature a minha mente com a tua verdade. Davi estava dizendo: antes de conhecer os teus planos eu quero conhecer a tua palavra. Antes de conhecer o meu caminho eu quero conhecer os teus caminhos.

Davi não está em busca de doutrinas simplesmente. A prova disto é que nesta oração ele busca encontrar as “veredas de Deus” e “os caminhos“. Estas duas expressões normalmente indicam vida prática.

Davi está em busca de uma nova consciência, uma consciência construída com as verdades de Deus. O desejo de Davi era o mesmo objetivo de Cristo no seu famoso sermão do monte – construção de consciência. Este pedido de Davi expressa o desejo por uma mente e coração amadurecidos e temperados pela  verdade de Deus. (consciência) Uma mente assim é quase sempre capaz de discernir o que é bom e sábio daquilo que é mal e tolo.

Hb. 5: 13-14 “Quem se alimenta de leite ainda é criança, e não tem experiência no ensino da justiça. Mas o alimento sólido é para os adultos, os quais, pelo exercício constante, tornaram-se aptos para discernir tanto o bem quanto o mal.”

Uma vida guiada por Deus, gasta tanto tempo na palavra de Deus que sua mente se torna saturada pela palavra, a ponto de se tornar apto para discernir o que é certo e o que é errado, e tomar decisões bem informadas.

Sei que você não quer ouvir isto, você quer que eu leia a sua mão e diga a você qual é o seu futuro. Não é?

A orientação que Deus faz requer tempo e empenho. Requer treinar suas faculdades mentais… os quais, pelo exercício constante, tornaram-se aptos para discernir tanto o bem quanto o mal.

Esta é a primeira característica de uma vida conduzida e guiada por Deus. É uma vida que possui um profundo e penetrante conhecimento da palavra de Deus.

A continuar….

August 23, 2010 at 7:12 pm Leave a comment

O Cristão e a Obsessão em Saber o Futuro.

Experimentar a Deus requer, dentre muitas outras coisas, ser guiado por Ele. Intimidade com Deus inclui ser orientado por Deus em nossa caminhada.

Mas como podemos saber que Deus está no guiando e nos orientando? Como podemos ter certeza não ser eu quem tem feito todas as decisões na minha vida? Como posso ter certeza que os planos que faço não são apenas meus planos, mas são também planos de Deus dentro do qual Ele está me dirigindo?

É exatamente disto que o salmo 25 trata.

Mas antes uma advertência. Tim Keller, o autor de nossas apostilas, afirma que até 30 ou 40 anos atrás, não havia quase que nenhum livro, artigo, sermão ou coisa semelhante sobre este tema – Como conhecer a vontade de Deus para sua vida. Mas hoje em dia se você estiver procurando um livro qualquer para ler, e em meio a 20 opções você encontrar um com o título – Como descobrir a vontade de Deus para sua vida –  90% de chances que você escolherá este.

Isto deve-se ao fato de que todos nós temos que fazer importantes decisões, como: com quem se casar, qual carreira escolher, onde morar, qual igreja frequentar … Mas por outro lado, Santo Agostinho, João Calvino, Jonathan Edwards, Martinho Lutero e outros heróis da fé, nunca escreveram nada sobre este tema. Você nunca vai encontrar um sermão destes homens com o título – Como posso ter a certeza de que estou vivendo o plano A e não o plano B de Deus.

Mas hoje em dia qualquer cristão quer saber qual é a vontade específica de Deus para sua vida. E surge frases no meio cristão como: centro da vontade de Deus, plano a e plano b de Deus, vontade de Deus vs vontade permissiva de Deus.

As pessoas de nossa sociedade querem estar no controle. Nós adoramos controlar as coisas. Odiamos esperar e repudiamos o sentimento de impotência diante de alguma situação. Pode parecer que este anseio por conhecer a vontade de Deus seja fruto do desejo de honrar a Deus, em parte pode ser mesmo, mas na verdade, grande parte deste anseio surge do receio de que existe alguém, mais poderoso que nós, programando as coisas,  e pior, sem que você seja comunicado. Não queremos esperar para viver os processos de Deus, queremos ler o que se passa na mente do Senhor, queremos descobrir o nosso futuro. É este mesmo sentimento que leva as pessoas a consultar cartomantes e horóscopo.

Muitas vezes quando vamos a igreja queremos ouvir uma palavra de Deus sobre o que devo fazer em relação a um determinado problema. Queremos soluções rápidas e claras. Queremos um atalho, queremos uma orientação sobrenatural. Nós queremos uma mapa, ou melhor, queremos que Deus se torne um gps particular.

Imagine que você esteja dirigindo seu carro em um lugar distante e estranho, onde você não conhece as ruas e tampouco as pessoas. Você vê alguém parado a beira da estrada. Você para para pedir imformações de como chegar ao lugar que você procura. A pessoa tenta lhe explicar, mas as explicações são muito confusas. Daí você pede que ele desenhe uma mapa, mas o mapa e muito complicado. A pessoa então, com muito gentileza, se oferece para entrar no carro com você e ser teu guia até o lugar. Te pergunto: Não seria esta solução muito melhor? Uma guia, não é melhor que uma mapa, ou meras informações?

Com certeza é melhor, mas ainda assim, você não terá a mínima ideia para onde você está indo. Mas isto não te incomoda mais,  pois você tem o guia. E a cada esquina uma informação nova e uma nova paz. Você não tem que ter o mapa, você tem quer ter o guia. Não precisa de orientação, e sim o orientador. Orientação não é algo que Deus dá, mas algo que Deus faz.

Aprenda uma coisa. A bíblia não fala muito sobre a orientação de Deus, mas fala constantemente sobre o tipo de pessoa que é guiada por Deus.

E é sobre isto que falaremos nas próximas semanas em nossa EBD.  N’ão percam!!

August 19, 2010 at 6:01 am Leave a comment

Orientação Divina e a Sabedoria Humana. (Parte I)

(Pegue tua bíblia e abra no Livro  dos Salmos no capítulo 25.)

Salmo 25 é um salmo de petição. Davi faz algumas petições básicas e podemos agrupá-las nas seguintes categorias:

1.     Os inimigos de Davi.

A primeira categoria tem a ver com  os inimigos de Davi. Eles são mencionados nos versos 2-3, e novamente nos versos 19-21.

2.     Orientação Divina.

A segunda categoria é a orientação divina que Davi busca incessantemente. Este, talvez seja, o principal objetivo do Salmo.

O primeiro pedido de Davi por orientação está nos versos 4-5, mas depois os versos 8-10 e 12, mostram a grande preocupação de Davi com a sua necessidade da orientação de Deus.

3.     Clamor por Perdão e Confissão de Pecados.

A terceira categoria aparece de forma breve, porém persistente, ao longo  Salmo.  São clamores por perdão e remoção da culpa por pecados do passado. Estes clamores ocorrem nos versos 7, 11 e 18.

4.     Clamor por Proteção e Refúgio.

A quarta categoria é a mais sutil, e passa facilmente desapercebida, pois é indireta. Ele clama a Deus por proteção de um modo geral. No início e no término de sua oração, Davi pede a Deus que Deus se torne a sua confiança “(v.1),” refúgio “(v.20), e “esperança” (v.21).

Kidner afirma que: “… esperar em Deus é aceitar o tempo e a sabedoria dEle. Esperar em Deus é obedecer, apesar da aparente falta de ação da parte de Deus e, portanto, é não aceitar simplesmente a palavra de Deus mas também o tempo dEle.”

Davi clama “volta-te pra mim” (v.16), mas neste salmo não há uma resposta. O que nos mostra que Davi buscava (indiretamente) por paciência e submissão à vontade de Deus (em sua oração). E foi exatamente isto que Davi alcançou durante esta oração. Assim sendo, Deus respondeu a oração de Davi. Mas não da maneira que nossa mente “hollywoodiana” esperava.

Até porque na oração é o seu coração que muda e não o de Deus.

Entendeu?????

August 17, 2010 at 8:20 pm Leave a comment

Quando apenas dizer a verdade não basta.

Efésios 4: 15-16, 22-32

15 Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo. 16 Dele todo o corpo, ajustado e unido pelo auxílio de todas as juntas, cresce e edifica-se a si mesmo em amor, na medida em que cada parte realiza a sua função… 22 Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, 23 a serem renovados no modo de pensar e 24 a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade. 25 Portanto, cada um de vocês deve abandonar a mentira e falar a verdade ao seu próximo, pois todos somos membros de um mesmo corpo. 26 “Quando vocês ficarem irados, não pequem” [17]. Apaziguem a sua ira antes que o sol se ponha, 27 e não dêem lugar ao Diabo. 28 O que furtava não furte mais; antes trabalhe, fazendo algo de útil com as mãos, para que tenha o que repartir com quem estiver em necessidade. 29 Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem. 30 Não entristeçam o Espírito Santo de Deus, com o qual vocês foram selados para o dia da redenção. 31 Livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade. 32 Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo.”


Neste texto aprendemos que a vontade de Deus quanto as nossas palavras é que nos abstenhamos de qualquer mentira e falemos sempre a verdade ao nosso próximo (v.25).

Por quê?

Para o bem da comunidade – “pois todos nós somos membros de um mesmo corpo.” (V.25). Falar a verdade nos prende ao outro. Edifica a comunidade. Mentira nos torna isolados, nos distancia um dos outros. Comunidade não sobrevive sem confiança.

“Imagine uma sociedade na qual ninguém confia na promessa de ninguém, onde se entende que mentir é um processo natural no curso da vida de todo líder, onde se suspeite que cada professor seja uma fraude acadêmica e cada pregador uma fraude moral, onde não se espera que contratos sejam honrados … Nenhum parceiro pode depositar confiança na lealdade do outro. Onde ninguém pode tomar decisões pois não tem garantia de ter os fatos em mãos … A vida seria brutalizada. Sem confiança, deixaríamos de ser comunidade e nos tornaríamos uma matilha, de sociedade passaríamos a ser uma gangue.” Smedes

Este é o argumento de Paulo no versículo 25. Somos membros de um corpo – inter-dependentes. Mentir nos torna independentes, nos separando uns dos outros. Nossa palavra faz parte da criação à imagem e semelhança de Deus. Como Calvino observou, devemos utilizar a fala para nutrir a interdependência da comunidade, não para explorar, enganar e separar uns dos outros.

Para a liberdade do próximo - “apenas a que for útil para edificar os outros,”(v.29). A palavra traduzida “edificar” significa literalmente: reforçar, ajudar a crescer em poder e liberdade.

“Se eu mentir ao meu próximo, eu retiro dele a realidade. Eu o obrigo a tomar decisões com base na falsidade e irrealidade. Se eu disser a uma pessoa que quer comprar o meu carro que o carro está em excelente condições, embora … eu saiba que ele precisa de uma válvula nova, eu estou roubando dele a liberdade de decidir com base na realidade. Se você finge estar satisfeito com o boletim de sua filha, quando na verdade você está furioso, pois ela não está estudando o suficiente e suas notas mostram isso, você está roubando a liberdade dela de responder a sua raiva e assim você irá obrigá-la a responder a uma farsa. Assim sendo, mentiras degrada nosso próximo. Nós não os tratamos como pessoas… ” Smedes

Quando Paulo diz que a nossa palavra deve ser verdadeira (v.25) e deve “edificar” (V.29), podemos concluir, que a mentira desmantela, enfraquece e desumaniza as pessoas . Como diz Smedes, não as tratamos como pessoas, não as tratamos como iguais.

Pelo amor de Deus e pelo amor da verdade – “a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus….Portanto, cada um de vocês deve… falar a verdade

Nos v. 22-23, Paulo argumenta sobre como cada cristão deve estar crescendo em semelhança a Deus (v.24). Ou seja, devemos estar renovando a imagem e semelhança de Deus em nós, imagem esta que foi e tem sido manchada pelo pecado.

Depois de chamar-nos a nos tornar semelhantes a Deus, Paulo diz: “Portanto … fale a verdade” (V.25). A conexão é impossível de não ser percebida. Temos de ser sinceros, se quisermos ser como Deus. Pois:

  • Deus não pode mentir (Tito 1:2; Heb. 6:18).
  • Sua palavra é a verdade (João 17:17).
  • Deus sempre cumpre suas promessas (2 Coríntios. 1:20).
  • Ele sempre quer dizer exatamente o que diz e diz exatamente o que quer dizer – ele não pode ser incompatível com ele mesmo. Você e eu devemos agir da mesma forma (Tg. 5:12).

Acima de tudo, Jesus é a Verdade (João 14:6). Ele narra ou revela Deus, a verdade última e perfeita (João 1:18; Hb 1:3).

Em segundo lugar, vemos que o simples falar a verdade não é suficiente. Deus também quer que nos abstenhamos de qualquer palavra desprovida de amor (v.15), de palavras que surgem da ira (v.26), ou de qualquer palavra que não se destine a beneficiar e satisfazer as necessidades dos outros (V.29).

A palavra grega traduzida por “torpe” (v.29) significa mais do que simplesmente mentir. A palavra original no grego significa estar em decomposição, putrefação, como carne ou um corpo morto que apodreceu. Paulo está proibindo o uso de palavras nocivas de qualquer tipo (cf. Col. 3:08; Ef. 5:4) – seja desdenhosa, enganosa ou que de alguma forma fracasse em ajudar o ouvinte a encontrar o que ele ou ela necessita.

Em suma, toda palavra deve ter um motivo ministerial (servir), você nunca deve simplesmente falar por falar. O próprio Jesus disse que seremos julgados por cada palavra frívola (inútil) (Mt 12:36). Este é o padrão mais elevado possível!

Entendes agora por que não basta simplesmente dizer a verdade? Deus quer que você leve em consideração o por que você está dizendo a verdade. Será que você não está dizendo a verdade:

  • Para ganhar um argumento?
  • Para punir ou revidar um constrangimento?
  • Para resistir a algo que a pessoa está tentando dizer?
  • Para defender o seu orgulho?
  • Para reclamar?
  • Para que você pareça bonzinho aos olhos dos outros?

Paulo diz que sua motivação deve ser sempre ” o que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem. “(v.29). Ou seja, você deve dizer a verdade:

  • Para mostrar apreço.
  • Para expressar o compromisso.
  • Para ajudar a outra pessoa alcançar a iluminação e a compreensão (mesmo quando não queiram – mas realmente precisam).
  • Para remover a distância e as barreiras entre você e a outra pessoa

Pense nisso!

August 12, 2010 at 5:40 am 3 comments

Afinal de contas o que é fofoca?

Leia Tiago 4:10; Prov; 05:09. 11:13, 16:02, 28; 17:09, 18:08, 17; 25:7b-10, 23.

De acordo com este versos fofoca e difamação não é necessariamente passar informações falsas. “O que anda mexericando revela segredos; mas o fiel de espírito encobre o negócio.” Prov. 11:13. Este verso fala de informações verdadeiras, sobre uma pessoa, que deveriam ter sido mantidas em sigilo.

Fofoca é passar adiante uma informação negativa, com a itenção de fazer com que aquele que a faz e o que a ouve se sintam superiores à pessoa em questão. É por isso que gostamos tanto de fofoca – quando a fazemos nos sentimos superiores – fofoca é sedutora. “As palavras do caluniador são como petiscos deliciosos; descem até o íntimo do homem.” (Prov. 18: 8).

Esta definição é confirmada em Tg 4:10-11: ” Humilhem-se diante do Senhor, e ele os exaltará. Irmãos, não falem mal uns dos outros. ...” A expressão traduzida aqui como “falar mal” no grego quer dizer “falar contra” (kata-lalein). Não é necessariamente um relatório falso, apenas uma “contra-relatório” – que mina o respeito e o amor do ouvinte para com a pessoa de quem está sendo falado. (O vento norte traz chuva, e a língua caluniadora, o rosto irado. – Pv 25:23).

Esta conexão entra a calúnia e o orgulho (v.10), feita por Tiago, mostra que a calúnia não é uma avaliação humilde sobre o erro e a culpa, (devemos cultivar o habito de fazer avaliações humildes).  Pelo contrário, na calúnia, o caluniador fala como se ele nunca fosse capaz de fazer o mesmo. Uma avaliação humilde é gentil, resguardada e sempre mostra que aquele que a faz compartilha da mesma fragilidade, humanidade e natureza pecaminosa com aquele que está sendo criticado. Ele sempre mostra uma profunda consciência de seu próprio pecado.

Fofoca pode ser bastante sutil. Tg. 5:9 – “Não vos queixeis, (literalmente não resmungar ou revirar os olhos), irmãos, uns dos outros”. Tiago se refere ao tipo de “falar mal” que não é tão específico como calúnia ou difamação. É insinuar não apenas com palavras, mas com linguagem corporal. Significa balançar a cabeça, revirar os olhos, etc, reforçando assim a erosão do amor e respeito por alguém. Por exemplo as expressões como: “Você sabe muito bem como as coisas são feitas por aqui.” Tais gestos e comentários produzem o mesmo efeito que a fofoca. Mina o amor e o respeito. ‘Como o vento norte traz chuva, assim a língua fingida traz o olhar irado.” (Prov. 25:23). Isto enfraquece o respeito, afeto e admiração pelo outro.

O que devemos fazer quando ouvimos uma calúnia ou fofoca?

Provérbios 17:9 – ” O que encobre a transgressão adquire amor, mas o que traz o assunto à baila separa os maiores amigos.

A primeira coisa a fazer quando você ouvir ou ver algo negativo sobre alguém, é procurar cobrir a ofensa ao invés de falar sobre o assunto com os outros.  Ou seja, ao invés de deixar que isto penetre seu coração, você deve procurar impedir que este assunto destrua o seu amor e respeito pela pessoa em questão.

Como?

  • Primeiro, por se lembrar do seu próprio pecado. Prov. 16:2 – “Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o SENHOR pesa o espírito (motivação).” Saber disto automaticamente o impede de estar muito seguro da sua posição e de falar duramente contra as pessoas do outro lado do conflito. Você percebe que talvez não esteja vendo as coisas com clareza. Suas razões não são tão puras quanto você acha que são.
  • Em segundo lugar, lembre-se que sempre há um outro lado na história. Prov. 18:17 – “O primeiro a apresentar a sua causa parece ter razão, até que outro venha à frente e o questione.” Você nunca tem todos os fatos. Você nunca está em uma posição na qual consiga ver o quadro inteiro e, portanto, quando você ouve o primeiro relatório, você deve assumir que você não tem informações o suficiente para tirar uma conclusão.
  • Em resumo, quando você ouvir um relatório negativo sobre uma outra pessoa, você não deve deixar que estas palavras penetrem o seu coração. Se você não for capaz disto, então vá até a pessoa, faça o possível para não perder de forma permanente o amor e o respeito pela pessoa .

O que fazer quando, na sua opnião, o erro é muito grande e doloroso para ser ignorado?

Prov. 25:7-10 “7… O que você viu com os olhos 8 não leve precipitadamente ao tribunal, pois o que você fará, se o seu próximo o desacreditar? 9 Procure resolver sua causa diretamente com o seu próximo, e não revele o segredo de outra pessoa,10 caso contrário, quem o ouvir poderá recriminá-lo, e você jamais perderá sua má reputação.

Em seu comentário sobre este texto Derek Kidner escreveu: “quando você achar que alguém fez algo errado, devemos lembrar que uma pessoa raramente conhece todos os fatos (v.8) e os motivos para a propagação de uma história são raramente tão puros como fingimos ser (v.10). Correr para a lei ou aos vizinhos é geralmente fugir do dever de relacionamento pessoal.

Veja o que disse Jesus em Mateus 18:15 b. “vá e, a sós com ele, mostre-lhe o erro. Se ele o ouvir, você ganhou seu irmão.

Resumindo, se você sentir que o problema é grande demais e você não conseguirá impedir que este destrua o seu respeito pela pessoa, você deve ir até até a pessoa, antes de ir a qualquer outra pessoa.

Três coisas que podem ser feitas.

  1. suspenda julgamentos.
  2. cubra a ofensa em amor.
  3. fale com a pessoa em questão pessoalmente.

E a regra de ouro:  Nunca passe adiante o relatório negativo. Nem o permita minar seu respeito e amor pela pessoa.

Pense nisso!

August 10, 2010 at 10:02 pm Leave a comment

A Vontade de Deus Para a Minha Língua.

Leia Provérbios 11:12,13; 12:17-20, 22-23, 25; 15:1,23; 17:27-28; 18:13; 25:11-12,15

O que se aprende nestes versos sobre a vontade de Deus quanto as nossas palavras?

Algumas características que nossas palavras devem ter:

Honestidade vs Engano

“17 A testemunha fiel dá testemunho honesto, mas a testemunha falsa conta mentiras… 19 Os lábios que dizem a verdade permanecem para sempre, mas a língua mentirosa dura apenas um instante. 20 O engano está no coração dos que maquinam o mal, mas a alegria está entre os que promovem a paz…. 22 O Senhor odeia os lábios mentirosos, mas se deleita com os que falam a verdade.”

Em Prov.12: 17, 19, 22, somos informados de que Deus se deleita na verdade e na honestidade. Mas no verso 20  a verdade é contrastada com o engano. Este argumento nos traz uma luz importante quanto ao que Deus pensa sobre a honestidade. Desonestidade é enganar os outros. Se suas palavras forem tecnicamente factuais, mas são declaradas de forma a induzir ao engano, então, então tais palavras  são desonestas – talvez até ainda mais desonestas.

Muitas vezes as declarações mais enganosas são aquelas que não são tecnicamente falsas, mas são empregadas em tal contexto, ou pronunciadas em um sincronismo  tal que deturpa as coisas e faz com os que as escutam permaneçam no “escuro”.

Bondade e mansidão vs Maldade e Aspereza

Não é suficiente que palavras sejam verdadeiras. Elas também precisam ser gentís e amorosas, tanto na intenção “O coração ansioso deprime o homem, mas uma palavra bondosa o anima.” (Prov. 12:25) quanto no tom e na forma “A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira.” (Prov. 15:1).  Não devemos jamais dizer a verdade, simplesmente para prejudicar alguém ou para “colocá-lo em seu lugar.”

No entanto, “Com muita paciência pode-se convencer a autoridade, e a língua branda quebra até ossos.” Prov.25: 15 este verso  mostra que palavras gentis podem e devem deve ser diretas.

Cautela (palavras cuidadosamente escolhidas)  vs Falta de cuidado.

“Há palavras que ferem como espada, mas a língua dos sábios traz a cura.” Prov.12: 18. Este verso nos adverte que nossas palavras não devem ser “imprudentes” – impulsivas, descontroladas. Como vimos anteriormente, as palavras têm efeitos poderosos. Palavras maliciosas podem se alojar no seu coração, ou no coração dos outros e envenená-lo por anos.

Pelo contrário, nossas palavras devem ser:

a) no tempo certo “Dar resposta apropriada é motivo de alegria; e como é bom um conselho na hora certa!”(Prov.15: 23);

b) bem informada – Nossas palavras devem ser moldadas pelo muito ouvir. “Quem responde antes de ouvir comete insensatez e passa vergonha.” (Prov.18: 13);

c) controladas e contidas – não devemos dizer tudo que temos vontade de dizer. “Quem tem conhecimento é comedido no falar, e quem tem entendimento é de espírito sereno.” (Prov. 17:27) “Até o insensato passará por sábio, se ficar quieto, e, se contiver a língua, parecerá que tem discernimento.” (Prov. 17:28);) “A palavra proferida no tempo certo é como frutas de ouro incrustadas numa escultura[53] de prata. Como brinco de ouro e enfeite de ouro fino é a repreensão dada com sabedoria a quem se dispõe a ouvir.” Prov.25 :11-12).

Franqueza vs Covardia

Vimos anteriormente que até mesmo palavras gentís podem ser francas e diretas, e podem levar o ouvinte a mudança. (Pr. 25:15b) Assim sendo, nossas palavras, além de amáveis, devem ser franca, clara e corajosa. “Como brinco de ouro e enfeite de ouro fino é a repreensão dada com sabedoria a quem se dispõe a ouvir.” Prov. 25:12. Este verso nos diz que uma repreensão, se feita corretamente, pode verdadeiramente ser algo belo (“como um ornamento de ouro fino”).

Pense Nisso.

August 3, 2010 at 5:28 pm Leave a comment

Mãe, provérbios me mandou calar a boca!!!!!!

Leia Provérbios 12:13-14, 17-19; 15: 4, 16: 24, 27-28; 18: 8, 29: 5; Tiago ; 1: 26 3: 1-6

Aprendemos muito nestes versos sobre a importância de nossas palavras. O que vem a seguir são algumas razões por que as palavras são tão importantes:

Palavras penetram o coração.

O que é feito com você tem menor importância do que aquilo que é feito dentro de você, as palavras penetram corações e almas com muito mais força do que as ações. Bajulação por exemplo pode, de uma forma negativa, inflar a auto-estima de uma pessoa, tirando-lhe o contato com a realidade, criando assim uma armadilha. “Quem adula seu próximo está armando uma rede para os pés dele.” (Prov.29: 5).

Palavras matam a auto-confiança e a esperança das pessoas, assim como uma espada pode matar o corpo “Há palavras que ferem como espada, mas a língua dos sábios traz a cura.” (Prov.12: 18). As palavras podem matar relacionamentos, destruindo o amor que havia antes “O homem perverso provoca dissensão, e o que espalha boatos afasta bons amigos.” (Prov.16: 28).

Palavras desonestas, uma vez que as ouvimos, tornan-se parte de nós “As palavras do caluniador são como petiscos deliciosos; descem até o íntimo do homem.” (Prov.18 : 8) – irá afetar a forma como consideramos as pessoas.

Palavras têm poder tanto sobre quem as ouvem como sobre quem as dizem.

O que ouve boas palavras pode ser curado de tristeza, culpa e desespero “O falar amável é árvore de vida, mas o falar enganoso esmaga o espírito.” “ As palavras agradáveis são como um favo de mel, são doces para a alma e trazem cura para os ossos.” (Prov.15: 4; 16:24).

E estas mesmas palavras podem desenvolver um bom caráter no orador e o trazer boas coisas “Do fruto de sua boca o homem se beneficia, e o trabalho de suas mãos será recompensado.” (Prov. 12:14), ou o oposto “O mau se enreda em seu falar pecaminoso, mas o justo não cai nessas dificuldades.” (Prov.12: 13).

Palavras tem o poder de se espalharem.

Palavras são como fogo; palavras falsas, mentirosas, palavras desprovidas de bondade, se espalham rapidamente e podem destruir reputações e alienar pessoas. “O homem sem caráter maquina o mal; suas palavras são um fogo devorador. O homem perverso provoca dissensão, e o que espalha boatos afasta bons amigos.” (Pv. 16: 27-28)

“Semelhantemente, a língua é um pequeno órgão do corpo, mas se vangloria de grandes coisas. Vejam como um grande bosque é incendiado por uma simples fagulha. Assim também, a língua é um fogo; é um mundo de iniqüidade. Colocada entre os membros do nosso corpo, contamina a pessoa por inteiro, incendeia todo o curso de sua vida, sendo ela mesma incendiada pelo inferno.” Tiago 3:5-6

Aquela velha frase que dizemos as crianças: “palavras não arrancam pedaços”, está errada. Palavras proferidas com a intenção de ferir, ecoam em nossa memória pelo resto de nossas vidas. Palavras impulsivas, hostis e cruéis podem destruir a auto-confiança, relacionamentos, casamentos, famílias a até mesmo provocar suicídios e guerras.

E por fim, palavras são indicadores importantes do lugar onde está o nosso coração.

Jesus disse: “a boca fala do que está cheio o coração…” (Mt 12:34). A língua revela o que está no centro do nosso ser. Como a natureza da raiz determina o fruto da árvore, assim o coração de uma pessoa determina suas palavras.

Tiago também afirma que entender e controlar a língua está firmemente conectado com o entender e controlar o coração. “Todos tropeçamos de muitas maneiras. Se alguém não tropeça no falar, tal homem é perfeito, sendo também capaz de dominar todo o seu corpo.” (Tg 3:2).

Alguns crêem que o que Tiago quer dizer é que se você controlar sua língua, você também controlará suas emoções e atitudes do coração. Outros crêem que o que Tiago quer dizer é que ao ouvir o que diz a sua língua você entenderá as motivações mais profundas do seu coração.

O que Tïago quer expressar é provavelmente tudo isso e mais um pouco. Uma língua abrasiva, mentirosa e tola são sinais de que a pessoa não compreende seu próprio coração. “Se alguém se considera religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo. Sua religião não tem valor algum!” Tiago 1:26. Este verso nos adverte que se você perceber que sua boca está produzindo palavras falsas e danosas então você pode ter a certeza de que o problema é muito maior do que falta de domínio próprio. Ao invés disto, você está enganado quanto à natureza do seu coração (“, engana-se a si mesmo.”) e quanto aos fundamentos de suas esperanças e vida (“Sua religião não tem valor algum “).

Pense nisso!

August 1, 2010 at 12:31 am Leave a comment

Sonda me Senhor… vê se há em mim algum caminho mal…” só pode acontecer através do sofrimento.

Cristo sofreu — não que não possamos sofrer, mas que em nosso sofrimento nos tornemos como ele. Podemos agrupar as razões de Deus para o sofrimento em quatro categorias. Primeiro, nós sofremos para o nosso próprio bem: para que possamos aprender quem é Deus (Sl 46:1; Dn 4:24-37); para podermos aprender a confiar nele (2 Co 1:8-9) e para obedecê-lo (Sl 119:67-71). Também para que possamos dar frutos (Jo 15:2), sermos moldados à imagem de Cristo (Rm 8:29), e alcançarmos maturidade de caráter (Rm 5:3-4; 2 Co 9:2; 12:9; Hb 12:1-13; Tg 1:4). Em segundo lugar, nós sofremos pelo bem do povo de Deus. Para que eles tenham coragem (Fp 1: 14) e graça (2 Co 4:15). Para que, por causa da “morte” operando em nós, a vida possa operar neles (2 Co 4:12; Gl 4:13; 1 Jo 3:16). Em terceiro lugar, sofremos pelo bem do mundo: para que seja mostrado a eles o que significa amor e obediência (Mt 27:40-43; Jo 14:31). Para que a vida de Jesus possa ser visível na carne humana (2 Co 4:10). Em quarto lugar, sofremos pelo amor a Cristo: para que possamos nos identificar com ele (Gl 2:20). Para que possamos participar de seus sofrimentos e glória (Rm 8:17-18; 2 Co 4:17; Fp 1:29, 2:17, 3:8,10; Hb 2:9-10; 1 Pe 4:12-13).” - Elisabeth Elliott

Mesmo não sabendo a razão do sofrimento, a citação de Elisabeth Elliot nos mostra que há um número de razões “penúltimas” porque sofremos. Pense em Jó, Jonas, Davi e o cego de nascença de João 9. Como cada um desses exemplos mostra algumas dessas razões.

A experiência do sofrimento de Jó.

Quando tudo desmoronou na vida de Jó, ele continuava à procura de um pecado pelo qual ele estava sendo castigado ou mesmo por uma lição que ele deveria aprender. Em outras palavras, Jó queria saber qual era o problema em particular ou a razão pela qual Deus estava permitindo-lhe sofrer. Mas em vez disso, Deus estava o levando à obedecê-Lo simplesmente por Deus ser quem é, e não por aquilo que Ele pode dar. A única maneira possível de se tornar uma pessoa de caráter, de grandeza e de alegria é aprender a obedecer a Deus simplesmente por deleite e honra a Deus, e não por um desejo de usar a Deus para outros, não-negociáveis (e portanto, indispensáveis) fins.

Satanás sabia que, em certa medida, o caráter de Jó era superficial. Ele disse a Deus, na realidade, “Jó serve ao Senhor apenas para levá-lo a fazer coisas para ele. Ele está tentando controlar você através de sua obediência. O amor de Jó por Ti é, portanto, condicional “. Isso não era em todo verdade, não ao nível que satanás afirmava. Se fosse assim, Jó teria sido um crente nominal e toda sua fé teria se esvaído no calor do seu sofrimento. Mas, em certa medida, a acusação de satanás era verdadeira, como acontece com todos nós.

Até certo ponto, Jó alicerçou seu relacionamento com Deus em suas própria obras e obediência, e a prova disto é que ele acreditava que Deus lhe devia uma vida confortável. Quando o sofrimento veio, Jó disse, repetidas vezes: “Eu vivi uma vida de obediência, então eu não mereço isso.” A implicação é que, na opinião de Jó, ele merecia um tratamento melhor por causa de sua justiça. Obras de justiça, portanto, não pode ter sofrimento. A velha lei moral de causa e efeito.

Jó buscou em vão por uma lição específica, mas a lição foi na verdade uma revelação sobre todo o teor da sua vida. O sofrimento veio para revelar e destruir esta visão (lei moral de causa e efeito) sobre as obras de justiça. Quando Deus tirou a prosperidade e o conforto, Jó se torna furioso e cheio de justiça própria, o que prova que ele estava servindo a Deus por aquilo que ele poderia extrair de Deus – não por quem Deus é. Prova também que Jó servia a Deus não por gratidão pela salvação, mas tentava usar a Deus como uma alavanca para alcançar as coisas que funcionavam como salvação na vida em sua vida, as coisas que justificavam sua existência (prosperidade, família, conforto, reconhecimento).

A experiência do sofrimento de Davi.

Quando tudo desmoronou na vida de Davi, havia uma lição muito específica a ser aprendida, pois havia um pecado muito específico. Ele tinha violado gravemente a lei de Deus ao possuir Bate-Seba, mulher de um outro homem, e por ter tramado a morte do marido dela. Em seguida, o filho de Davi com Bate-Seba morre.

Será que Deus estava punindo Davi? E o caso de Jonas, será que Deus estava punindo o também por seus pecados? Minha resposta é não. Romanos 8:1 diz que “não há condenação” para um crente. Isto significa simplesmente que, se Jesus recebeu o castigo e fez o pagamento por nossos pecados, Deus não pode receber um novo pagamento de nossa parte! Por causa da obra de Cristo, Deus não faz “retribuição” a um crente, e se ele realmente fosse nos punir por nossos pecados, nós todos teríamos sido mortos a muito tempo!

Mas Deus muitas vezes aponta alguns aspectos da miséria deste mundo [causado pelo pecado em geral - Gen.3; Romanos 8:18 em diante] E permite certos sofrimentos entrarem em nossas vidas para nos acordar e nos levar de volta a ele. A severidade destes depende da necessidade do nosso coração.

Imagine um homem que fica noivo e termina com cada noiva 5 vezes consecutivamente. E ele faz isto porque cada noiva tem falhas, ele confunde estas ocasiões para terminar o noivado por razões. Mas, na realidade, a razão é o seu perfeccionismo, e um sentimento de superioridade moral é a causa raiz. Uma grande tentação e consequentemente o fracasso moral pode ser a única forma para que este homem seja humilhado e se desperte para essa barreira. O Salmista diz “Sonda me Senhor e me conheces… vê se há em mim algum caminho mal…” Em geral, isso só pode acontecer através do sofrimento.

A experiência do homem cego de nascença.

Em João 9, os discípulos vêem um homem que nasceu cego. Os discípulos perguntam a Jesus: ” Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?” (V.2). Esta pergunta está carregada de justiça própria. Ela parte do pressuposto de que eles não são pecadores ou nem são pais de pecadores, uma vez que eles e seus filhos gozam de boa saúde. Esta é a mesma posição dos amigos de Jó, (e até mesmo, no início, a posição de Jó) alguém moralmente bom merece uma vida circunstancialmente boa, e, portanto, aqueles que não tem a segunda é porque também lhes faltam a primeira.

Jesus rejeita o erro e diz: “Nem ele pecou nem seus pais; mas foi para que nele se manifestem as obras de Deus. “(v.3). Jesus mostra que o sofrimento pode ser tão misterioso que nem sempre  é causado por um pecado específico ou por uma imaturidade quanto ao evangelho. Nós todos fazemos parte desta natureza que geme sob o peso do pecado (Rom.8: 18 em diante) até o Dia do Senhor. No entanto, apesar de um cristão participar do sofrimento deste mundo, ele ou ela pode ter a certeza de que o sofrimento em suas vidas é uma forma cuidadosa de Deus fazer o seu trabalho em nós, ou através de nós por meio de um sofrimento (João 9:1-2; Rom. 8:28; Heb. 12:1-14; Fil. 1:12-30).

June 10, 2010 at 6:34 pm Leave a comment

Será que Deus está disposto a prevenir o mal?

“Por que Deus permite todo este mal?… Os cristãos devem reconhecer que não sabem… Mas a nossa compreensão da forma fundamental das coisas é, na melhor das hipóteses, limitada… e por isso não há razão para pensar que, qualquer que seja a razão de Deus em permitir o mal, nós seríamos os primeiros a saber… Mas, enquanto o cristão contempla o mal, Deus não permanece alheio, observando friamente o sofrimento de suas criaturas. Ele se envolve e compartilha do nosso padecer… Cristo foi enviado para enfrentar as agonias do inferno… Isto não responde a pergunta: ‘Por que [mesmo] Deus permite o mal’, mas ajuda o cristão a confiar em Deus como seu Pai amoroso… Seus objetivos e metas podem estar além do nosso alcance, mas ele mesmo está preparado para compartilhar um sofrimento muito maior do que os cristãos  na busca desses fins.”

- Alvin Plantinga

Plantinga traz dois argumentos básicos:

O primeiro é a premissa oculta da onisciência humana.

O clássico argumento contra Deus, com base na existéncia do mal, foi formulada pelo filósofo escocês do século 18 David Hume. Ele escreveu: “Será que [Deus] está disposto a prevenir o mal, mas não é capaz? Neste caso ele é impotente. Se Ele é capaz, mas não está disposto? Então ele é malévolo. Será Ele capaz e está disposto? De onde vem então o mal? “

O raciocínio é o seguinte:

  1. Se há um bom e todo poderoso Deus, então não poderia haver nenhum mal a menos que este Deus tenha uma razão que justificasse sua permissão do mal.
  2. Há muita maldade sem sentido – mal que não traz nada de bom no final – o mal pelo qual não há justificação.
  3. Portanto, Deus não existe.

No entanto, Plantinga, um filósofo cristão, aponta que existe uma premissa escondida neste argumento. Assume-se que, se Deus tem um motivo para permitir que o mal continue a existir, então seriamos capazes de discernir tal motivo. Mas por que acreditar nisso? Plantinga escreve: “Mas a nossa compreensão da forma fundamental das coisas é, na melhor das hipóteses, limitada… e por isso não há razão para pensar que, qualquer que seja a razão de Deus em permitir o mal, nós seríamos os primeiros a saber…” Em outras palavras, observemos os argumentos contra Deus listados acima. Olhe a premissa número 2: “Há muita maldade sem sentido – mal que não traz nada de bom no final.”

Plantinga nos mostra que aninhado a esta premissa está a seguinte linha de raciocínio:

  1. Se houvesse qualquer motivo seríamos capazes de vê-los.
  2. Eu não consigo ver nenhuma razão para todos esse mal e sofrimento.
  3. Portanto, não pode haver qualquer razão.

Mas isso é, obviamente, um pensamento falacioso. Mesmo dentro de nossas próprias vidas, podemos adquirir perspectiva e lembrar de alguns eventos que pareciam ser catástrofes e acabaram sendo bênçãos disfarçadas. Como podemos ter certeza de que por não conseguirmos imaginar boas razões que Deus possa ter para permitir o mal e o sofrimento, que então não haja nenhuma razão.

É humilde, sábio e bíblico não tentar postular ou fornecer uma razão sobre porque Deus permite o mal e o sofrimento. Por outro lado, é racionalmente inválido insistir que não pode haver uma razão e, portanto, Deus é cruel ou não existe.

O segundo argumento é o sofrimento de Deus em Cristo:

O segundo argumento que Plantinga faz tem como base o sofrimento de Deus em Jesus. Ele argumenta, “a voluntariedade de Deus em vir ao mundo para sofrer e morrer por nós é uma forte evidência de que Ele deve ter algum bom motivo para permitir que o mal continue.” Seja qual for suas razões para permitir que o mal continue a existir, não pode ser devido a uma falta de amor ou indiferença em relação à nossa miséria.

Resumindo o argumento de Plantinga.

Primeiro, se você tem um Deus grande e transcendente o bastante, para estar bravo com ele, pois ele não põe um fim na maldade e no sofrimento no mundo, então você tem que (ao mesmo tempo) ter um Deus grande e transcendente o bastante para ter boas razões, razões nas quais você desconheça, para permitir que a maldade continue. (Você não pode ter as duas coisas!)

Em segundo lugar, embora não conhecendo as razões pelas quais ele permite que a maldade continue, ele não pode ser indiferente ou insensível, porque o Deus cristão (ao contrário dos deuses de todas as outras religiões) leva a nossa miséria e sofrimento tão a sério que ele mesmo está disposto se envolver. Na cruz, Jesus sofreu conosco.

June 10, 2010 at 6:56 am Leave a comment

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