Posts tagged ‘sofrimento’
Será que Deus está disposto a prevenir o mal?
“Por que Deus permite todo este mal?… Os cristãos devem reconhecer que não sabem… Mas a nossa compreensão da forma fundamental das coisas é, na melhor das hipóteses, limitada… e por isso não há razão para pensar que, qualquer que seja a razão de Deus em permitir o mal, nós seríamos os primeiros a saber… Mas, enquanto o cristão contempla o mal, Deus não permanece alheio, observando friamente o sofrimento de suas criaturas. Ele se envolve e compartilha do nosso padecer… Cristo foi enviado para enfrentar as agonias do inferno… Isto não responde a pergunta: ‘Por que [mesmo] Deus permite o mal’, mas ajuda o cristão a confiar em Deus como seu Pai amoroso… Seus objetivos e metas podem estar além do nosso alcance, mas ele mesmo está preparado para compartilhar um sofrimento muito maior do que os cristãos na busca desses fins.”
- Alvin Plantinga
Plantinga traz dois argumentos básicos:
O primeiro é a premissa oculta da onisciência humana.
O clássico argumento contra Deus, com base na existéncia do mal, foi formulada pelo filósofo escocês do século 18 David Hume. Ele escreveu: “Será que [Deus] está disposto a prevenir o mal, mas não é capaz? Neste caso ele é impotente. Se Ele é capaz, mas não está disposto? Então ele é malévolo. Será Ele capaz e está disposto? De onde vem então o mal? “
O raciocínio é o seguinte:
- Se há um bom e todo poderoso Deus, então não poderia haver nenhum mal a menos que este Deus tenha uma razão que justificasse sua permissão do mal.
- Há muita maldade sem sentido – mal que não traz nada de bom no final – o mal pelo qual não há justificação.
- Portanto, Deus não existe.
No entanto, Plantinga, um filósofo cristão, aponta que existe uma premissa escondida neste argumento. Assume-se que, se Deus tem um motivo para permitir que o mal continue a existir, então seriamos capazes de discernir tal motivo. Mas por que acreditar nisso? Plantinga escreve: “Mas a nossa compreensão da forma fundamental das coisas é, na melhor das hipóteses, limitada… e por isso não há razão para pensar que, qualquer que seja a razão de Deus em permitir o mal, nós seríamos os primeiros a saber…” Em outras palavras, observemos os argumentos contra Deus listados acima. Olhe a premissa número 2: “Há muita maldade sem sentido – mal que não traz nada de bom no final.”
Plantinga nos mostra que aninhado a esta premissa está a seguinte linha de raciocínio:
- Se houvesse qualquer motivo seríamos capazes de vê-los.
- Eu não consigo ver nenhuma razão para todos esse mal e sofrimento.
- Portanto, não pode haver qualquer razão.
Mas isso é, obviamente, um pensamento falacioso. Mesmo dentro de nossas próprias vidas, podemos adquirir perspectiva e lembrar de alguns eventos que pareciam ser catástrofes e acabaram sendo bênçãos disfarçadas. Como podemos ter certeza de que por não conseguirmos imaginar boas razões que Deus possa ter para permitir o mal e o sofrimento, que então não haja nenhuma razão.
É humilde, sábio e bíblico não tentar postular ou fornecer uma razão sobre porque Deus permite o mal e o sofrimento. Por outro lado, é racionalmente inválido insistir que não pode haver uma razão e, portanto, Deus é cruel ou não existe.
O segundo argumento é o sofrimento de Deus em Cristo:
O segundo argumento que Plantinga faz tem como base o sofrimento de Deus em Jesus. Ele argumenta, “a voluntariedade de Deus em vir ao mundo para sofrer e morrer por nós é uma forte evidência de que Ele deve ter algum bom motivo para permitir que o mal continue.” Seja qual for suas razões para permitir que o mal continue a existir, não pode ser devido a uma falta de amor ou indiferença em relação à nossa miséria.
Resumindo o argumento de Plantinga.
Primeiro, se você tem um Deus grande e transcendente o bastante, para estar bravo com ele, pois ele não põe um fim na maldade e no sofrimento no mundo, então você tem que (ao mesmo tempo) ter um Deus grande e transcendente o bastante para ter boas razões, razões nas quais você desconheça, para permitir que a maldade continue. (Você não pode ter as duas coisas!)
Em segundo lugar, embora não conhecendo as razões pelas quais ele permite que a maldade continue, ele não pode ser indiferente ou insensível, porque o Deus cristão (ao contrário dos deuses de todas as outras religiões) leva a nossa miséria e sofrimento tão a sério que ele mesmo está disposto se envolver. Na cruz, Jesus sofreu conosco.
Deus nunca me salvará. (Longanimidade Parte II)
Estudo bíblico Samos 3
Versos 1-2 relatam as as duas formas básicas com as quais os inimigos de Davi se opunham a ele.
- Primeiro, eles o atacam. Versículo 1 diz que muitos “se levantam contra mim.” Sabemos, através do relato em 2 Samuel 15-18, que uma grande parcela da população, estavam literalmente caçando Davi para matá-lo. E não era apenas uma pequena conspiração (v.1a – ” muitos são os meus adversários!” e v.6a – ” os milhares que me cercam. “).
- Em segundo lugar, eles o acusavam. O versículo 2 diz que “São muitos os que dizem a meu respeito: Deus nunca o salvará” Haviam rumores de que Deus já havia abandonado Davi e, portanto, ele não podia mais ser rei (v.2 – “Deus não vai livrá-lo”).
É provável que as acusações foram mais ou menos assim:
- “Pense em todas as coisas terríveis que fez Davi: o caso com Bate-Seba e o assassinato de Urias. Não me admira que Deus está engasgado com ele. Ele já não pode mais ser o nosso rei.”
- Este tipo de conversa era necessária para os partidários de Absalão, a fim de deslegitimar Davi da sua posição de rei de Israel.
- Eles não apenas buscavam acabar com a vida de Davi, mas também com a sua reputação e o seu direito de ser rei. Eles atacaram a fé e a moral de Davi e para isso eles alegaram que Deus havia se retirado dele.
Quais são as semelhanças entre os problemas que enfrentamos e os de Davi?
À primeira vista, o problema de Davi parece estar bem longe de qualquer problema que poderíamos enfrentar. (a menos que você seja o rei de uma pequena nação do Oriente). Hoje, nos E.U.A, é muito raro que alguém busque matar você. No entanto, é perfeitamente possível e normal atrair inimigos que querem prejudicar a sua reputação ou a sua posição no trabalho ou a opinião de outras pessoas ao seu respeito.
Vivemos hoje numa sociedade cada vez mais flexível e competitiva, onde relações não são baseadas em reinados e em tradições, mas em associações para se obter um lucro mútuo. Mais do que nunca, seu sucesso pode atrair ciúme e esforços abertos ou secretos para minar a sua influência, poder ou prosperidade. Você pode descobrir que pessoas que você achava que eram seus amigos se afastaram de você e estão envenenando o que os outros pensam de você.
Mas há uma segunda maneira em que este esboço geral do problema duplo de Davi se assemelha aos nossos problemas. Todos os crentes têm de lidar com o Grande Acusador – Satanás. O nome “Satanás” significa “procurador” ou “Acusador”. Seu trabalho é acusar os cristãos – para fazê-los duvidar de que Deus possa amá-los e cuidar deles. Ap. 12:10, Jó 1 e Zac. 3:1-6 são exemplos de acusações de Satanás. Satanás usa até mesmo seres humanos para abalar a sua confiança de que Deus está comprometido com você, ou ele pode te atacar diretamente, inflamar psicologicamente a sua consciência com culpa inapropriada e fora da realidade e com padrões de vida inatingíveis, de modo que você pareça fraco e insensato aos seus próprios olhos. Neste sentido, todos os cristãos têm sempre um grande inimigo que está todos os dias buscando formas para dizer a você que “a salvação de Deus não é (ou não existe) para você. “(Deus não irá salvá-lo.)
Assim como a acusação espiritual veio acompanhada de ataque físico na vida de Davi, da mesma forma um ataque à sua fé no evangelho normalmente vem acompanhada de problemas na sua vida. É completamente normal experimentar um grande revés em sua vida e descobrir que este revés chegou acompanhado de graves dúvidas quanto ao amor de Deus por você ou quanto o seu merecimento do cuidado e atenção de Deus.
Em suma, quase todo o sofrimento tem essas duas dimensões– o ataque e a acusação.
- No exterior, lidamos com o problema em si, o que causa preocupção, raiva e medo.
- No interior, nossa fé no evangelho da graça é abalada. Chegando até mesmo a conclusao de que não há mais salvação em Deus para a nós.
Pr. Rodrigo DeOliveira
Tapeceiro
Eu não tenho respostas para muitas coisas, como por exemplo, terremotos, tsunamis, acidentes, doenças, prisões de pessoas inocentes, sofrimento de pessoas boas, depressão, solidão, rebeldia dos filhos e etc. São tantas as nossas lutas e muitas as nossas dores. Neste momento, alguns de nós choram em prisões, outros choram pelos que estão presos. Alguns passaram a semana no hospital, outros dormem sozinhos e sentem muito a ausência da família. Enquanto uns estão com esperança, outros lutam para que a fé não se esmoreça.
A nossa caminhada aqui na terra é árdua, e surgem indagações inevitáveis. Não estou aqui para tentar lhe explicar nada, muito menos para justificar através de algum tratado teológico sobre o que seria todo esse sofrimento. Essa tarefa seria uma jornada sem fim, e me parece que os que se lançam nesta jornada nunca voltam. Através da busca por essas explicações acabamos nos tornando pessoas cínicas e indiferentes com a dor do próximo.
O que me resta é chorar com os que choram e me alegrar com os que se alegram. Até porque nestes momentos “As palavras se calam....” e o que me resta, e creio que seja a única coisa que realmente promova consolo, é o que me sugere o restante desta antiga canção que diz: “…mas em meu silêncio vou deixar falar meu coração. Eu vou pedir pra Deus que a tua fé não esmoreç. Que o brilho da esperança não se apague em teu coração. Que o grande amor do Pai te cubra, nesta hora, irmão. Eu vou pedir pra Deus que a tua fé esteja muito além do que as próprias circunstâncias que te assolam, Meu querido irmã., Porque logo, logo a tempestade vai passar.“
E por falar em canção, dedico esta que segue no vídeo, a você, que chora neste momento, seja qual for a razão. Não entenda esta canção como uma explicação do porque você está passando por esta situação, mas sim como uma verdade bíblica em forma de poesia, na qual sua fé deve se firmar.
Um grande abraço.
E você, a quem dedica esta canção?
Pr. Rodrigo.


