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O poder do Evangelho de derreter e conciliar. (Domínio Próprio Parte Final)
“A salvação pela graça, a salvação não por obras, mas segundo a misericórdia de Deus, é indispensável para a piedade. Retenha um único fragmento de legalidade com o Evangelho e você removerá o poder do Evangelho de derreter e conciliar. Retenha a atitude do “faça isso e você viverá”, e um espírito de medo com certeza se instalará em sua vida, e o homem que se esforça para estar quites com o seu Criador estará, na verdade, o tempo todo, atrelado ao seu próprio egoísmo em vez da glória de Deus. É só quando, no Evangelho, a aceitação é recebida como um presente, sem dinheiro e sem preço, que ele então poderá descansar em Deus como um amigo descansa em outro amigo, e experimentar a alegria de ser grato ao despertar para os encantos de uma nova existência moral. E nunca um pecador é capaz de encontrar dentro de si uma transformação moral tão poderosa, quanto a quando ele crê que é salvo pela graça, sente-se constrangido a oferecer o seu coração em devoção, e a dizer não para a impiedade.
Por que este amor cheio de gratidão é tão importante? Não é comum que qualquer um dos nossos maus hábitos, ou falhas, desapareça como um mero processo de extinção natural. Pelo menos é quase improvável que isso seja feito por meio da instrumentalidade do raciocínio, ou por força da determinação mental. Mas os que não podem ser destruídos podem ser expropriados – e um gosto pode surgir para dar lugar a outro, e perder inteiramente seu poder, como a afeição que reina na mente. É assim que o menino deixa finalmente de ser escravo de seu apetite, pois um gosto melhor levou-o a subordinar-se novamente. Se um jovem deixa de idolatrar o prazer sexual, certamente outro ídolo tomará o lugar do primeiro. Até o amor ao dinheiro pode deixar de dominar alguém quando este é arrastado pelo turbilhão da ideologia e da política. Sendo assim, esse alguém passa a ser subordinado ao amor ao poder (superioridade moral). Mas em nenhuma dessas transformações o coração permanece sem um objeto de desejo. O desejo por um determinado objeto é conquistado, mas o desejo de se ter algo é invencível. A única maneira de livrar o coração de uma afeição antiga é por meio do poder expulsivo de uma nova afeição. E somente quando somos reconhecidos como filhos de Deus, por meio da fé em Jesus Cristo, é que o espírito de adoção será derramado sobre nós. O coração, dominado por uma grande afeição, é libertado da tirania dos desejos antigos. E esta, como disse anteriormente, é a única maneira de encontrar a liberdade. Por isso, não será suficiente mostrar ao mundo suas imperfeições, nem demonstrar a evanescência de seus prazeres, para ter consciência das suas loucuras. É preciso usar todos os métodos legítimos para alcançar, por meio daquele que é maior que o mundo, Jesus Cristo, o caminho do coração.”
Thomas Chalmers
Esta citação de Thomas Chalmers é, na verdade, uma exposição de Tito 2:11-14. Mas o será que que ele quer dizer com a expressão “poder do Evangelho de derreter e conciliar.”? E quais seriam estes “métodos… egítimos para ter acesso ao seu coração pelo amor daquele que é maior que o mundo”?
Para responder estas perguntas de uma forma mais prática, farei um resumo de como usar o evangelho da graça para combater certos sentimentos.
O que vem a seguir são formas de “orar” e processar tais sentimento através da graça. Por exemplo:
- Quando sentimos ansiedade, podemos pensar: “Se eu falhar, se eu cometer um erro aqui, eu posso perder tudo.” Mas devemos pensar assim: “Todas as coisas que tenho são na verdade dádivas da graça. Não tenho as coisas que tenho tenho, nem sou quem eu sou por causa do meu desempenho, mas sim pela generosidade de Deus. Ele me ama o suficiente ao ponto de entregar seu Filho unigênito para morrer em meu lugar, certamente ele continuará a dar-me o que eu preciso.” Então console-se!
- Quando temos crises de orgulho e de raiva podemos pensar: “Eu não estou recebendo o que eu mereço! As pessoas não estão me tratando bem! Quem elas pensam que são?” Mas é preciso pensar assim: “Todas as coisas que tenho são na verdade dádivas da graça. Eu nunca recebi o que eu realmente mereço – e nunca irei! Se Deus me desse que eu realmente mereço eu estaria morto.” Portanto humilhe-se.
- Quando sentimos culpa, podemos pensar: “Eu estraguei tudo! O motivo dos meus problemas é que Deus me abandonou.” Mas ao invés disto pense desta forma: “Todas as coisas que eu tenho são frutos da graça de Deus. Para começo de conversa não fui eu quem conquisteis estas coisas – então como eu poderia “des-conquistá-las”. Ele me aceitou há muito tempo, embora ele já soubesse que eu iria fazer isso. Estes meus pecados já estavam em meu coração este tempo todo – eu simplesmente não percebi a presença deles na minha vida, mas Ele já tinha percebido. E Ele está comigo agora.” Seja auto-confiante.
- Quando sentimos tédio e letargia podemos pensar: “Eu sei que sou um cristão. E sei que tenho recebido bençãos. Mas e daí?O que há de surpreendente nisto? ” Mas é preciso pensar: “Todas as coisas que eu tenho – cada uma delas – é um dom da graça. O simples fato de que eu sou um cristão já é um milagre.” Se surpreenda. Fique maravilhado com isto.
Pense nisto!
Pr. Rodrigo DeOliveira
“Pare de chorar! Você está agindo como uma menina.” (Domínio Próprio Parte VII)
“Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente, enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo. Ele se entregou por nós a fim de nos remir de toda a maldade e purificar para si mesmo um povo particularmente seu, dedicado à prática de boas obras.” Tito 2: 11-14
Tito 2:12 nos diz que a graça de Deus nos ensina a rejeitar o que não é bom e a vivermos vidas auto-controladas. Em outras palavras, o conhecimento de que somos salvos pela graça nos ajuda a “dizer não” aos nossos maus hábitos.
A palavra traduzida como “ensina” é uma palavra que muitas vezes é traduzida como “castigo” ou ’disciplina’. É uma palavra de conotação forte e que significa muito mais do que apenas “instruir. Esta palavra significa exercitar ou treinar ou até mesmo “confrontar.”
Isto vai contra a noção comum de que se falarmos muito com as pessoas sobre como somos gratuitamente salvos pela graça, isto irá levá-las a viver de forma libertina. Pois, segundo os que assim pensam, a motivação das pessoas para obedecer à Deus será removida. Se quando você remover de seu coração todo o medo da rejeição divina, (como o evangelho o faz) você perder toda a motivação para o seu viver santo – então a única motivação que você tinha era o medo.
Pense em todas as motivações para se dizer “não” aos nossos maus hábitos que são baseadas no medo.
- Algumas pessoas dizem Não a um comportamento imoral, por medo de Deus
puni-las e não responder suas orações. - Algumas pessoas dizem Não, por medo de perderem a imagem de bonzinhos.
- Alguns dizem Não, por medo de perder o auto-respeito.
- Algumas pessoas dizem Não, por medo do que Deus, os outros ou até elas mesmas lhes farão.
O problema em se usar o medo como motivação para adquirir auto-controle é que o medo é, por natureza, extremamente egocêntrico. É basicamente usar pecado para acabar com o pecado, o que é sempre contra-produtivo. Por exemplo, muitas vezes adultos ajudam meninos a adquirirem controle emocional dizendo: “Pare de chorar! Você está agindo como uma menina.” Esse medo de ser ridicularizado pode ajudar o menino ter controle, mas o faz por levá-lo a sentir-se superior às mulheres. Mais tarde (especialmente no casamento), esta dureza de coração e superioridade pode causar dificuldades para se relacionar com mulheres ou pode levá-lo a ser muito antipático com os outros.
Acabar com a falta de domínio próprio através do medo é simplesmente se libertar de uma escravidão (a das emoções) para entrar em outra escravidão (a do orgulho e das aparências.)
Então como o evangelho da graça nos dá uma nova motivação para a santidade, uma que não é baseada no medo e ainda assim nos confronta e é muito eficaz?
A resposta a esta pergunta no nosso próximo post.
Pr. Rodrigo DeOliveira


