“… fui vendido como escravo ao pecado.” (Domínio Próprio Parte V)

April 14, 2010 at 6:51 am Leave a comment


Romanos 7 14-25

“14   Sabemos que a Lei é espiritual; eu, contudo, não o sou, pois.15   Não entendo o que faço. Pois não faço o que desejo, mas o que odeio.16   E, se faço o que não desejo, admito que a Lei é boa.17   Neste caso, não sou mais eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim.18   Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo.19   Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo.20   Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim.21   Assim, encontro esta lei que atua em mim: Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim.22   No íntimo do meu ser tenho prazer na Lei de Deus;23   mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros.24   Miserável homem que eu sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?25   Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor! De modo que, com a mente, eu próprio sou escravo da Lei de Deus; mas, com a carne, da lei do pecado.”

O que Paulo nos diz nesses mesmos versículos (14-25)? a) o que mudou? b) o que não mudou? c) qual é a nossa necessidade? d) qual é a nossa esperança como cristãos?

Primeiro, Paulo diz que agora nos identificamos com a lei de Deus.

Agora, um cristão pode se deleitar na lei (v.22), o que não era possível antes (8:7). Um cristão pode também ver a beleza e perfeição da lei (v.12, 14, 16), e pode desejar cumpri-la (v.18b). Nenhuma dessas coisas eram possíveis, antes de sermos convertidos.

Além disso, Paulo diz que “no meu ser interior” ele se alegra com a lei – isto é como dizer “no fundo do meu coração” ou “meu verdadeiro eu. (Algumas traduções dizem “íntimo do meu ser”). Com esta declaração Paulo está reconhecendo que todos nós temos consciência desta nossa guerra de desejos – e temos, de certa forma, “múltiplos eus“. As vezes, queremos ser isto – outras vezes queremos ser aquilo. E a maioria das pessoas se sentem moralmente divididas entre diversos “eus”.

Freud foi mais longe ao falar de um “libido interior” (desejos primários) e de um “superego” (a consciência, padrões familiares e sociais). A grande pergunta que todos nós enfrentamos é: “Eu tenho em meu ser estes desejos conflitantes, diferentes “Eus” – mas qual é o verdadeiro “eu”? Quem sou eu? O que é que eu mais quero? ”

Para um cristão, esta questão está resolvida, embora o conflito não esteja resolvido. Paulo chama a lei de Deus de seu prazer mais “íntimo”, e ainda chama isso de “a lei da minha mente “(v.23) (v25b com a mente, eu próprio sou escravo da Lei de Deus;.) É claro que Paulo vê que ainda há uma poderosa força de pecado e rebelião dentro dele, mas esses desejos não são a sua verdadeira identidade, “já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim.”

O cristão passou por uma transformação de identidade. Como cristão, “Eu”, o meu verdadeiro “eu”, realmente busca a Deus e ama a sua lei e santidade. Embora o pecado permaneça em mim, e com muita força, ele já não controla minha personalidade e vida. O pecado ainda é capaz de nos levar a desobedecer a Deus – mas, agora, este comportamento pecaminoso vai contra nossa mais profunda compreensão de quem nós realmente somos Para um cristão, até mesmo na derrota – há uma mudança de consciência – o “Eu” O verdadeiro “eu” ama a lei de Deus e não o pecado.

Em segundo lugar, Paulo nos diz que o cristão ainda tem um poderoso centro de pecados remanescentes dentro dele.

Trata-se de uma “natureza pecaminosa” (v.18). É parte de sua natureza ou coração que “Procura o que eu odeio” (v.15). Isto significa que, por si só ele não pode cumprir a lei.

Nos  versos 7-13, ele está nos mostrando que o não crente não pode guardar a lei (por isso precisamos da obra do Filho), nos versos 14-25, ele está nos dizendo que até mesmo os cristãos não podem guardar a lei (é preciso a obra do Espírito Santo).

Muitos ficam intrigados com o fato de que Paulo parece caracterizar sua situação presente não só como uma condição de luta, mas como uma situação quase de derrota – “Eu sou carnal, vendido como um escravo ao pecado “(v.14).

Mas a razão pela qual Paulo tende a colocar as coisas dessa maneira é porque ele está olhando para sua própria luta a partir de uma perspectiva particular. Paulo está provavelmente sublinhando que por sí só o cristão é incapaz de cumprir a lei. Observe que ele usa a palavra “eu” inúmeras vezes. Assim, ele está dizendo, “por mim mesmo, ainda sou incapaz de viver como deveria.” Mesmo que haja uma nova identificação, u novo amor e prazer na lei de Deus – um cristão ainda é completamente incapaz de guardar a lei de Deus.

Nota: Isto pode não ser claro para os leitores ao menos que eles percebam como Paulo usa a palavra lei em três formas distintas nestes versos.

  • Às vezes “lei” significa a lei de Deus (como nos versos 14, 16, 22 e 25).
  • Mas no versículo 21, Paulo usa a palavra “lei” para designar um princípio. encontro esta lei que atua em mim.” Paulo quer dizer “Eu encontro este príncipio – por mais que eu tento fazer o bem, mais mal aparece”
  • Finalmente, no versículo 23 e 25, Paulo usa a palavra “lei” no sentido de uma força ou poder. mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo… a lei do pecado.

Com isto Paulo está dizendo: “No fundo do meu coração [” no meu íntimo “v.22,” minha mente “v.23], tenho prazer na lei de Deus. A lei de Deus é agora o poder principal do meu coração e da minha mente. Mas há um outro poder dentro de mim – o poder do

pecado. O poder do pecado não é a influência dominante do meu coração, mas ainda está dentro de mim e está em guerra contra os meus desejos mais profundos de santidade. “

Terceiro e último, desta forma, Paulo está no preparando para mostrar o que ele tem a dizer em Romanos 8  sobre  viver no Espírito.

Ele está nos dizendo que, a não ser que andemos no Espírito, não poderemos viver a vida cristã. Este não é, portanto, um caso perdido. Paulo vai nos dizer sobre as possibilidades para uma vida cristã através da Espírito de Deus em Romanos 8. E ele antecipa este triunfo no v.25, quando diz: “Graças a Deus – por nosso Senhor Jesus Cristo.” Deus, por meio de Cristo nos libertará  deste “corpo desta morte”. Assim, mesmo com esta perspectiva de sua própria fraqueza , Paulo tinha convicção do triunfo.

A continuar,,,

Pr. Rodrigo DeOliveira

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O mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo. (Domínio Próprio Parte IV) Quanto Mais Santo me Torno, Menos Santo me Sinto. (Domínio Próprio Parte VI)

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