Adultério, assassinato, ódio do filho, mas de cabeça erguida. (Longanimidade Parte IV)

May 29, 2010 at 5:33 am Leave a comment

Salmos 3: 3-4, 8 “Porém tu, SENHOR, és o meu escudo, és a minha glória e o que exaltas a minha cabeça. Com a minha voz clamo ao SENHOR, e ele do seu santo monte me responde.. Do SENHOR é a salvação, e sobre o teu povo, a tua bênção.”

No último post argumentamos sobre como Davi encontra segurança e confiança diante das perseguições e se devemos acreditar que Deus nunca permite que nada realmente ruim aconteça a um crente. Mas, como vimos anteriormente, perseguição não era o único problema de Davi, ele enfrentava também um outro tipo de oposição por parte de seus inimigos – as acusações. Davi enfrentava estes problemas com paz no coração porque tinha certeza de que Deus não iria abandoná-lo. Mas com isso surge uma nova dúvida: O que o faz pensar que Deus não irá definitivamente abandoná-lo? E Como podemos ter certeza que Deus não irá nos abandonar?

  • A segunda frase do v.3 usa uma metáfora diferente: “…és a minha glória e me fazes andar de cabeça erguida.” Mesmo sem a primeira cláusula (és minha glória), a segunda cláusula mostra que Deus está dando a Davi dignidade e ousadia.
  • Andar de cabeça erguida” é uma metáfora de orgulho saudável, consciência limpa e auto-confiança. Tais coisas são essênciais quando estamos sendo “Acusados”, como vimos anteriormente.
  • Quase sempre quando sofremos, nossa fé de que Deus realmente nos ama, se abala. O resultado é que andamos com “a cabeça baixa.”

Esta dúvida pode se gerada por dois motivos.

  1. CULPA – Por um lado, podemos pensar: “sou realmente indigno. E o que estou passando é uma prova disto. Deus me abandonou e eu mereço. “
  2. AUTO-PIEDADE – Ou, por outro lado, podemos sentir: “Eu fiz a minha parte, mas Deus me abandonou. Ele não está comprometido comigo. Isso não é justo.”
  3. Assim, o ataque leva a acusação de nós mesmos, ou de Deus, ou ambos.

Mas Davi está confiante de que Deus não o abandonou e nem irá. Ele diz: Deus “levanta a minha cabeça”, mas como? A primeira cláusula nos diz que, “és a minha glória e me fazes andar de cabeça erguida.” Em outras versões diz: “…o que levanta minha cabeça). Kidner escreve: “Minha glória” é uma expressão para se meditar: indica … a comparativa falta de importância da estima mundana…”(DK, p.69). Davi percebe que ele tende a deixar que a aprovação e o louvor de seu povo seja o motivo de sua auto-estima. Ele andou com a cabeça erguida por causa de sua aclamação e popularidade. Agora, ele afirma a verdade teológica de que Deus é a sua única glória. Ter Deus como meu Rei, meu Pastor e amigo – é a única honra que importa.

Davi estava ficando triste, porque tinha feito de alguma outra coisa sua “Glória” e não de seu relacionamento com Deus e o amor de Deus para com ele.

Isto é extremamente importante para a aprender “processar” o sofrimento.

Quando algo é tomado de nós, sofremos, e este sofrimento é real e válido. Mas muitas vezes, por dentro, ficamos desproporcionalmente abatidos, pois o sofrimento surge quando algo que permitimos tornar mais do que apenas uma boa coisa, é tirada de nós. Estas “outras coisas” tem o poder de se tornarem espiritual e emocionalmente essências para nós. Consideramos tais coisas como honra e glória, a razão pela qual podemos andar com a cabeça erguida. Podemos até dizer aos outros que “Jesus é o salvador. Sua aprovação, sua opinião sobre mim, e sua obra são tudo o que importa. “Mas funcionalmente, extraímos a nossa auto-estima de outras coisas.

E quando sofremos, essas “outras coisas” são abaladas. No caso de Davi, a maiór parte de seu sofrimento era perfeitamente válido. Perder o amor de seu filho e de seu povo e ser falsamente acusado foi de uma dor lancinante. Mas ele também percebe que havia deixado a opinião humana e a “estima mundana” serem promovidas de coisas boas à coisas “únicas”.

Mas Davi se compromete novamente a fazer de Deus sua “glória” – algo que só pode ser feito em oração, através do arrependimento e adoração – neste texto de salmos podemos ver Davi crescer em coragem e adquirir uma habilidade extraordinária para se recuperar dos contra-tempos da vida.

É possível ler o v.3 como sendo uma espécie de adoração baseada no arrependimento. Davi diz: ” Mas tu,Senhor,és o escudo que me protege…, e não estas outras coisas! TÚ és a minha glória e me fazes andar de cabeça erguida. – e não essas outras coisas! Não é a minha moral, nem o poder político, nem mesmo amor de meu filho ou do meu povo – somente Tú Senhor!” E isto meus amados leitores, é louvor, e louvor alicerçado no arrependimento.

Mas como é que Deus se torna a nossa glória?

A NIV, a versão em inglês da NVI, indica a resposta quando usa a palavra “bestow” que quer dizer conceder. “you bestow glory on me” Nosso relacionamento com Deus é um presente, é concedido.

Assim sendo, a única resposta para o Acusador, é o evangelho da graça. Se ouvirmos a acusação, “Deus não irá salvá-lo, ele é indigno”, a única resposta é que a salvação não é para os dignos, mas para os humildes – aqueles que admitem que não são dignos. Davi afirma isto de forma direta no v.8: ” Do Senhor vem o livramento (Salvação). “Isto é idêntico à famosa declaração de Jonas: “Ao Senhor pertence a salvação” (Jonas 2:9). Não salvamos a nós mesmos – é imerecido. Portanto, a graça de Deus não nos abandona.

Em suma: Davi tinha uma compreensão intuitiva de que somos salvos pela graça. Ele percebeu que nenhuma glória duradoura ou salvação vem através de realizações e recompensas mundanas. Se buscarmos nestas coisas a salvação, seremos decepcionados, pois “Do Senhor vem a salvação.” Ele se re-orientou na gratuidade da graça, e percebeu que o cuidado de Deus não está baseado em nossas realizações pessoais.

Mas ainda resta nossa pergunta inicial: Como podemos ter a certeza que Deus não nos abandonará?

Se lermos v.3- de maneira Cristocêntrica, veremos que hoje temos mais formas específicas de lidar com a acusação do que tinha Davi.

Em primeiro lugar, em Cristo, vemos como o Senhor se torna, literalmente, o “nosso escudo.

Um escudo nos protege recebendo as flechas que teriam caído sobre nós. Um escudo nos protege através da substituição. Jesus, é claro, assumiu nosso lugar e levou o castigo que mereciamos. É por isso que a acusação de Satanás é vencida pelo sangue de Cristo. (Veja Apoc. 12 :10-11).

Sabemos que Deus não nos abandonará, pois ele abandonou Jesus por nossos pecados. Enquanto era punido por nossos pecados Ele clamou: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”. A dívida dos nossos pecados já foi paga e Deus não pode receber dois pagamentos por nossos pecados. Portanto, ele não pode te abandonar.

Em segundo lugar, em Cristo, somos “santos e irrepreensíveis diante dele” (Colossenses 1:22), apesar de nosso currículo moral ruim.

Os cristãos sabem que Cristo é, literalmente, nossa glória e honra diante do Pai.

Resumindo: Se eu me lembrar de como Deus soberana e providencialmente processa meus sofrimentos para o meu próprio bem v.3a (como um escudo) e se eu me recordar da justiça perfeita em Cristo imputada a mim (v.3b – como glória), então eu serei capaz de dormir em paz seja quais forem as circunstâncias. (v.5)! Lembra daquele cântico? “Não olho circunstâncias não não não. Olho o Seu amor…”

Que Deus se torne mais que um escudo pra você, que Ele se torne a sua glória, aquele que te faz andar de cabeça erguida.

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Mas tu, Senhor, és um escudo ao redor de mim. (Longanimidade Parte III) Feres nos queixos a todos os meus inimigos e aos ímpios quebras os dentes.

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